domingo, 5 de dezembro de 2010
um acalanto estrelet
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Africa do Sul
Do nosso grupo, eu sou a “paulista”, que na verdade não é paulista coisa nenhuma (com todo respeito aos paulistas, que inclusive gosto mucho), mas nasci mesmo em Minas Gerais, e morei em muitos lugares depois, inclusive, a maior parte da minha vida no interior de São Paulo (por isso, sou a paulista do grupo!) Entenderam? rs
Mas enfim, estou aqui para relatar minha viagem para a África do Sul, que fiz mês passado, e que durou 1 mês!!! Como vocês já sabem, nós somos um grupo de amigas que adoramos viajar! E como Brasília, não tem lá tantos atrativos, então aproveitamos nossas férias, feriados e qualquer outro dia de folga para pôr o pé na estrada! :)
Pois bem, em setembro peguei minhas malas e me mandei para Cape Town na África do Sul. Cidade linda, com praias lindas, montanhas e muitas coisas bacanas para fazer.
Fiquei numa casa de família mulçumana (o que para mim já foi algo inédito, uma vez que nunca tive contato tão próximo com essa cultura). Mas uma família linda que me acolheu muito bem! Aliás, nos acolheu muito bem, pois estou grávida de 6 meses, esperando a mascote do nosso grupo: uma estrelinha! :)
É minha gente, é possível viajar grávida! E não se acanhem se alguém disser para você que você está louca por viajar grávida!!! Gravidez não é doença, ok?!!! Mas primeiro, claro, consulte seu ginecologista/obstetra! :)
Bem, a Africa do Sul é um país relativamente barato para nós, simples brasileiros que ganham em real! Sim sim, lá a moeda vale 4 vezes menos que aqui, e por conta disto, a comida lá é bem barata para nossos padrões! Mas preparem-se, pois a galera lá adora uma comida doce e apimentada. Em Cape Town tem muitos Cape Malay, que são pessoas que vieram da região da Malásia, Índia, etc... portanto, a comida não podia ser diferente!
Um dos lugares mais lindos que estive, e que também tem o ápice de sua beleza na primavera, é West Coast! Fica não muito longe de Cape Town, talvez uma 1,5 hora e é um parque nacional! Se você for de bike, melhor ainda, pois o parque é enorme e tranquilo de dar umas pedaladas! Preparem-se para ver animais um tanto exóticos e muitas flores! Nesse parque tem uma lagoa maravilhosa, aliás, a mais linda que eu já vi, que se chama Blue Lagoon! Vendo a foto aí vocês podem entender o porquê do nome! Nós não entramos na água, pois no dia estava ventando muuuuito e não estava lá tão calor! :(
Agora para quem aprecia vinhos, meu Deus, vocês têm que ir na Winelands! São mais de 200 vinículas, nas quais você pode párar e fazer degustação! Mesmo estando grávida, não pude resistir, pois eu A-D-O-R-O vinhos, e Clarice que me perdoe, mas tomei algumas tacinhas! A degustação não custa caro, e varia de vinícula para vinícula, mas a média é de 30 randes, o que para nós, é menos de 10 reais! E isto dá direito a provar uns 5 ou 6 vinhos deliciosos! :)
Ah, neste nosso passeio perto de Stellenbosch, que é uma cidadezinha linda, estilo holandês, tem uma fazenda de morangos, que você paga a pagatela de 1 real e pode colher morangos e comê-los a vontade! Gentem, eu nunca tive a honra de colher morangos! It's was my first time! Delícia!
Outra oportunidade que não se pode perder (mas eu perdi por causa do baby) é pular do Bungee Jump mais alto do mundo! Galera, não foi bem assim: “eu perdi”!!! Quero deixar bem claro nestas linhas que vos escrevo, que EU FUI até a metade da ponte onde a galera se joga no jump!!! O que já foi uma grande aventura! Só não pulei, pois grávidas não podem pular, mas minhas amigas que estavam comigo, pularam, e eu pude compartilhar dessa emoção! rsrsrsr Mas, vou ser sincera, o negócio é punk rock! Para quem tem medo de altura, é adrelina pura! É um salto de 250 metros! Vocês podem ter noção disso??? Bem, a foto ao lado prova que estive lá e que foi muito bacana!! O preço para pular??? 650 randes!!! Quanto em reais?? 160 reais mais ou menos!!! Mas lembrem-se: vocês não podem levar nem sequer máquina fotográfica, pois eles detêm o monopólio de tirar as fotos e filmar seu jump, e depois tem uma lojinha que você, se quiser, compra este material por aproximadamente 50 reais! Galera, mas vale a pena! Além de adrenalina é muito engraçado! :)
Imperdível também foi uma feirinha que fica em Woodstock, em Cape Town mesmo, que se chama Old Biscuit Mill!! Para aqueles que estão em dieta rígida, façam outro passeio, pois este é uma perdição! Tem taaaanta comida gostosa, que você fica sem saber o que comer! E como eu já disse, tudo lá é muito barato para a gente! Portanto, vocês podem imaginar que delícia!! Tem comida francesa, grega, holandesa, árabe, indiana e várias outras. E tudo muito bem feito e de qualidade! Olhe o tamanho desses cogumelos!!! Fiquei doida para trazê-los aqui para o Brasil! :)
Comi um strudel de maçã (que eu amo comidas que têm maçã) de uma barraquinha dutch que estava bom demais! Além dos queijos (que eu também amo) da barraquinha de um pessoal francês! Ah, a feira só abre aos sábados, viu?! E cheguem cedo, pois lá lota, e fica difícil escolher com tanta gente!
Passamos 4 dias em Garden Route também! Fica mais ou menos 6 horas de carro de Cape Town! Achei o lugar lindíssimo, mas caí em umas ciladas que não recomendo para ninguém!!! Na verdade, quem nos levou foi um senhor que é também guia! Segundo ele, ele conhece Garden Route como ninguém, e ele programou esses 4 dias de viagem! Como ele era uma pessoa total de confiança e muito agradável, confiamos nele plenamente! Quando ele nos disse que nós íamos em uma caverna, eu pirei!!! Adoro cavernas, e já estive em algumas muito massa! Portanto, estava esperando um passeio, no mínimo roots! Pois bem, lá chegando (ressalto que a paisagem até chegar lá já valeu a pena), o nome do lugar é Cango Cave!!! Gente, gravem bem esse nome, por favor, e PELAMORDEDEUS, não vão em Cango Cave!!! Tinha tudo para ser um lugar lindo, mas para começar a entrada da caverna é um shopping!!! Como assim??? Tem até cinema para explicar as formações rochosas da caverna (me senti no Parque dos Dinossauros)!!! Bem, resolvi dar mais uma chance para a tal caverna! Para começar tinha tanto turista, que comecei a desanimar novamente....um grupo gigantesco de indiano!!! Mas ok, ok!!! Todos temos direito de conhecer a caverna, não é mesmo?! Bem, estávamos em 7 pessoas, todos amigos e mais o guia gente boa, mas como na entrada da caverna estava toda aquela galerosa, eu e uma amiga resolvemos seguir um grupinho de gringos que foram na frente...poucas pessoas e um pouco mais silencioso! Ressalto aqui que a caverna é toda iluminada, tem caminhos artificiais, não vi um morcego, e qualquer pessoa, até aquelas de 90 anos, podem entrar na caverna! Ou seja, um shopping um pouco mais diferente! Até aí estava desapontada e queria sair correndo daquele lugar, até que a surpresa maior estava por vir, minha gente! Nos deparamos com um TELEFONE dentro da caverna!!!! Vocês têm noção do que eu estou falando???? Aí eu e minha amiga começamos a sacanear feio com toda aquela papagaiada, até que quando menos esperávamos o telefone toca!!! Como assim??? O guia foi lá, atendeu, falou coisas que não entendemos, quando ele se voltou para a gente perguntando se nós éramos brasileiras e se uma de nós estava grávida!!! O quê??? A chamada era para a gente??? Ai não, que tristeza!!! O pessoal do nosso grupinho que ficou para trás estava preocupado com nós e, principalmente, comigo que estava grávida e podia me perder dentro da caverna!!! Me perder??? Como???? Com aquela iluminação toda e os caminhos de madeirinha e toda aquele falatório dentro da caverna!!! rsrsrsr Depois desta, desisti de vez da caverna, e não me surpreendi com mais nada! Fui embora um pouco triste, mas depois minha tristeza passou logo no outro dia quando fomos no Tsitsikamma National Park! Um lugar perfeito, com uma trilha bem tranquila de se fazer, mas um lugar que dá para se sentir bem a vontade com a natureza! Aqui posto uma foto do parque!
Queridos, essa viagem foi excelente! Visitei muitos outros lugares, como o Cabo da Boa Esperança, Table Mountain e Lion' Head em Cape Town, Simon's Town para ver os pinguins, um bairro mulçumano lindinho que chama Boo Kap e fica no centro de Cape Town! Ah, o jardim botânico não tem igual, diferente de todos que eu já fui!
Mas se você for para lá e tiver um tempinho a mais e uma disposição, inclusive financeira, não deixe de ir até a Namíbia! Eu não fui, pois não arrumei cia. E fiquei com medo de ir grávida sozinha (acho que seria aventura demais para o meu bebê e para mim), mas se tivesse em condições “normais” eu teria ido, com certeza!
Ah, outra coisa! Se você sabe inglês naquele nível intermediário, não se desespere! Você não vai entender nada do que eles falam, pelo menos na primeira semana! Ô inglês difícil! Fiquei meio perdida no começo, mas depois logo me acostumei (logo, digo, 2 semanas! rs). Mas com um pouquinho de boa vontade e simpatia a gente se faz entender!
Galera, então é isso! Até a próxima viagem!!! Acredito que será para Ouro Preto com meu maridão e a baby no barrigão! :)
sexta-feira, 12 de março de 2010
LISBOA!
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Viajar é preciso!
arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amyr Klink
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
NO AVIAO A DESTINOS DE BAIRES
De repente me aparece uma aeromoça e me pede para preencher o formulário de entrada na Argentina. Olhei para ela, olhei para o formulário, olhei para o lado... e percebi que era a única da minha fileira que sabia o endereço do albergue em que ia me hospedar. Com dúvidas com relação ao preenchimento, acabamos todos ficando amigos. Tinha um garoto de Ilhéus, que estava indo encontrar a namorada. Ficaria hospedado em algum lugar da Recoleta e não estava muito preocupado com maiores informações pq sabia que a turma já estava providenciando tudo. Tinha outra menina, de Vitória, muito gente boa, embora patricinha pra caramba. Passou boa parte da viagem falando do dia que conheceu Las Vegas, mas até que foi interessante. Tava P da vida pq não tinha comprado todas as garrafas de Absolut que queria pq o moço do free-shop tinha dito que não podia... afff. Ela ficaria em Palermo Soho e passaria o réveillon em Mar del Plata, no apartamento de uns amigos. Outros dois meninos, que estavam atrás da gente, também ficariam um tempo em um albergue na Recoleta e iriam para uma praia no Uruguai. Comecei a desconfiar que o canal seria sair de Baires na virada... mas era muito cedo para concluir qualquer coisa. Apesar de achar um saco aquela brasileirada toda, comecei a entrar no clima da viagem... fechando o livro e começando a interagir!
BUENOS AIRES (de chinelo)
Antes mesmo de começar a viagem já me ocorreu um fato simbólico, eu diria. Comprei um super fashion macacão colorido para passar o réveillon que exigia um sapato alto. O que eu tinha, ocupava um super espaço na mala e acumulava histórias de ex-namorados que não gostavam e tal... Estava na hora de mudar o sapato também! Mas qual?? Enfim, na última hora, minha colega de república me apareceu com uma sandália super bacaninha e pronto, pus no pé e embarquei. Quando cheguei em Guarulhos fui informada que teria que embarcar de novo no terminal internacional para os trâmites alfandegários. Ok. Lá fui eu toda tranqüila quando, de repente, ouço um barulho estranho vindo do meu pé e tenho a impressão de que algo está colado no meu sapato. Coisa de 4 passos para atravessar a porta do desembarque... 1, 2, ... “mas o que há com esse sapato?”.. e ZUM! Meu pé direito vai com toda a força para a frente e toca o chão frio. O salto... cadê o salto?? Manca, com as tiras de couro da sandália coladas ao meu pé, e a sola de salto alto Anabela a um passo atrás, só tive a sensação de que tinha que agir rápido. Principalmente ao notar a reação das pessoas que esperavam seus familiares, amigos, desconhecidos (com letreiros de nomes esquisitos) com um semblante de surpresa, contendo o riso... É claro que fiz de conta que estava sozinha ali. Virei para trás, peguei o pedaço da sola daquela sandália (que antes parecia me salvar e agora eu detestava), e segui em frente, mancando e olhando para um ponto fixo... Por dentro, rindo de mim mesma.
Após pagar esse mico, minha segunda reação foi tirar as sandálias e sair andando pelo aeroporto de Guarulhos descalça... sem rumo aparente até me surgir uma terceira reação: parar numa loja de jóias e perguntar: "tem alguma loja de sapatos nesse aeroporto?" (e torcer para ter!).
A quarta reação, é claro que foi jogar aquela merda fora (demorei para fazer isso!)e pensar comigo mesma: "por que não vim com o meu velho tamancão?!!"
Por sorte, tinha um quiosque de Havaianas no aeroporto... devidamente calçada, segui em direção do meu destino.
Karen Amazona... embarcando de chinelo.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Um fim de semana em Mosqueiro - Por Ju Moonwalker
Desde que fui ao encontro de minhas raízes no início do ano, em uma viagem de férias com a família para o Pará, que minha prima paraense falava em irmos conhecer a Ilha de Mosqueiro. Quinze dias passei com meus pais em janeiro, e o tanto de gente para rever, e o tanto de coisas para fazer, acabaram não permitindo inclui-la em nossa programação.
Mas eis que, graças a uma viagem a trabalho para Belém, surgiu a oportunidade de dar uma esticada durante o fim de semana. E é claro que minha prima, bem entendida nos assuntos das terras papachibés (diz-se papachibé de uma mistura de água e farinha, ou dos nascidos em Belém do Pará), não poderia me deixar voltar à capital sem conhecer a tão famosa ilha.
E para lá fomos, a turma toda, incluindo ela, seu marido e dois filhinhos e meu tio. Mesmo pegando um pouco de trânsito em Belém – impressionante como mesmo nos fins de semana o caos em que vêm se transformando as grandes cidades dá o ar de sua graça – em pouco mais de uma hora chegamos, ainda a tempo de pegar o pôr-do-sol na Praia de Murubira.
Mosqueiro é um distrito administrativo de Belém, composto por várias praias. É limitado ao norte pelo Rio Pará e pela Baía do Guajará, a oeste pela Baía de Santo Antônio, ao sul pela Baía do Sol e a leste pelo Furo das Marinhas, que separa a Ilha do continente.
Trata-se daquele tipo de lugar que, fora das épocas em que a multidão de turistas acaba dissipando um pouco a magia nativa, passa uma sensação de paz e plena sintonia com a natureza. Combinação perfeita entre a imensidão de mar e a doçura das águas de rio.
Em seguida, saborear um delicioso tacacá e ficar com os lábios dormentes do jambu, folhinha típica do Norte do país, utilizada na preparação de vários pratos da culinária paraense.
Distanciando-me um pouco da turma e explorando sozinha os espaços da praça, fui até longe para registrar a vista da ilha à noite. Então parei diante de uma placa onde se contava sobre a origem de seu nome: “Mosqueiro” vem de “moquear”, que na linguagem ribeirinha significa a “técnica de tratar os peixes para venda”. Daí “Moqueiro”, que acabou virando “Mosqueiro”, para facilitar a pronúncia.
Findo o passeio pela praça, seguimos todos para a famosa e tradicional sorveteria Cairu, onde pedi minha casquinha predileta: pavê de cupuaçu!
Depois de passar em casa, tomar um banho e descansar, eu e minha prima ainda tivemos energia para mais um passeio noturno. A primeira tentativa de parada foi no Hotel Farol, onde tínhamos a esperança de conseguir sentar para petiscar algo e tomar uma cerva. Infelizmente não foi possível, mas ficou a promessa de voltar no dia seguinte para almoçar, tamanho o encantamento nosso com a vista do hotel e sua beleza.
Sendo assim, finalizamos o sábado com uma boa “prosa terapêutica” em um bar, regada a Skol e isca de peixe, como não poderia deixar de ser.
Já no domingo, saímos de casa na hora do almoço e fomos direto para o Hotel Farol, onde pedimos uma caldeirada de filhote, meu peixe de rio predileto. Durante a espera pelo prato, aproveitei para fazer alguns registros do hotel, embora eu sinceramente acredite que eles não consigam transmitir a energia do lugar.
Os móveis, os quadros, a decoração, tudo emana um certo ar nostálgico e familiar, que inebria especialmente os mais sensíveis – e cancerianos –, como eu. Em uma das paredes, deparei-me com uma matéria de jornal sobre o hotel, emoldurada em 3 quadros. Por ela descobri que seus mentores foram o casal português Zacharias Mártyres e Adelaide de Almeida, que na década de 30 resolveram transformar a casa de veraneio em um hotel, de estrutura similar a de um navio. Mesmo sem conhecer dona Adelaide, admirei em silêncio a força daquela mulher, que veio a falecer aos quase 100 anos, em 2007, tendo criado 15 filhos, e mais os sobrinhos e agregados.
Na reportagem, realizada quando ela ainda era viva, dona Adelaide falava sobre o quanto sentia falta dos ares de cassino, dos bailes outrora realizados. "Antigamente as pessoas viam aqui e passavam no mínimo 15 dias. Hoje ficam 3, 4 dias no máximo", recordava. Felizmente os filhos deram continuidade à obra dos pais, que hoje conta com 3 prédios, dos quais sem dúvida o mais charmoso é aquele em formato de navio.
Pra continuar, mais um stop na sorveteria Cairu e em um bar em Mucubira, que vende uns pasteizinhos de camarão e carne ma-ra-vi-lho-sos.
E pra finalizar, mais um pôr-do-sol, dessa vez na Praia do Paraíso. Os rastros dourados na areia, o azul do céu expandindo a visão, a doçura das ondas amaciando a pele, os resquícios de floresta perdidos no horizonte do olhar. Na certeza de que Mosqueiro reacendeu em mim aquela chama que a rotina teima em querer sufocar, despedi-me em gratidão com o Deus, com o universo e com todos os que me proporcionaram vivenciar a magia daquele lugar.
Encerro meu relato, com o trecho de um livro registrado em uma placa, na entrada do Hotel Farol:
História e Personagem
Maria Lúcia Medeiros
[do livro "Quarto de Hora"]
Outra noite e uma esfera azulada cintila à minha frente. Impossível é
ver daqui onde me encontro o contorno dos bálticos países, nem mares,
nem as pequenas ilhas Falkland.
Meus óculos descansam num livro aberto ao meu lado. Talvez eles
tornassem mais nítido algum promontório e eu pudesse distinguir a faixa
de terra apontando para um farol incrustado em pedras semipreciosas.
Obrigo-me daqui deste lugar onde recosto corpo e memória a ver
com nitidez um oceano que não preciso nomear a fustigar de espuma as
minhas costas, a dividir-me, a separar-nos, espaço que eu inauguro nesta
noite para que meu escaler com marujos arrojados possa fazer a travessia
e me levar.
Nesse espaço a memória inscreve, pela ausência, história e
personagem, a passagem nossa, nossa ida e nossa vinda, trajeto e rota que
vai do lugar de sombra deste quarto à esfera azulada e mítica de onde
deito olhar de dor para narrar-te.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Ilhada aqui Ou Esperando estrela cadente.
Crônica de Hilda Hilst para o "Correio Popular" de Campinas-SP
Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.
(Segunda-feira, 16 de agosto de 1993)
* Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Pernambucana se perde no Parque da Cidade - by Polly Cartesiana
Um fim de semana em Floripa - relato de Karen Amazona
Esperei por ela em frente a um supermercado do Centro da cidade de Florianópolis e lá, já me deparei com algo muito interessante, principalmente para quem tem cachorro e pouco tempo para levá-lo para passear.
Então, pessoas, tudo isso em dois dias prorrogados por conta própria de uma viagem de trabalho. Toda essa tradição e locaizinhos novos e desconhecidos de muitos turistas por conta de um reencontro com uma amiga que já é quase que nativa da Ilha. Nada como buscar as verdadeiras fontes. Nada como explorar o que é do cotidiano de quem vive no lugar visitado.
Saudades eternas de Floripa...
domingo, 13 de setembro de 2009
De como começamos a contar estrelas...
E quanto a nós, batemos um corridão até a pousada. Depois de uma maquiadinha daqui, uma trocada de roupa acolá, partimos para o Festival de Culturas Populares de São Jorge, que, em seu último fim de semana, fazia o povoado fervilhar de bichos-grilo e loucos do bem, de todas as espécies. A energia de Lia de Itamaracá me enfeitiçou e não resisti a logo me embrenhar nos labirintos da ciranda por ela entoada. Poucas vezes na vida senti emoção tão poderosa.
Como cantava Miss Lauper, "girls just wanna have fun"! Acabada a ciranda, a noite apenas recomeçaria, na Casa do Cavaleiro São Jorge, onde estava marcada a apresentação de um grupo de música regional, e destino certo para os dispostos a adentrar a madrugada. Entre bate-coxas e dá-lhe cerveja, figuras e "gatrinhos", assim cumprimos a promessa de infinita diversão, enquanto esta durasse. Teve uma que até "pagou paixãozinha", embora seu espírito cartesiano não lhe permita admitir hehe.
Quase de manhã, hora do toque de recolher e de recarregar as baterias para o longo dia seguinte, de repente alguém se dá conta:
- A Ju!!! Cadê a Ju!!!????
Acende-se o alerta vermelho! Busca por todos os cantos e becos. Lugar diferente, gente doida, será que dá pra confiar?Uma delas tranquiliza:
- A Ju, a Ju tá beeeeemmmm...
Ainda assim, eis que a Cartesiana saca o celular e arrisca uma tentativa de chamada, que (milagrosamente, em se tratando da Ju), enfim, é atendida:
- Ju, Juuuuu, onde você está???
- Eeeeu?? Eu tô aqui...
- Você tá bem, Ju???
- Eu? Eu tô beeeem, sim...
- Tá bem aonde???
- Eu tô aqui... contando estrelas...
Vai uma caroninha? (Está certo disso?) !
Pedido aceito, dá um tchau com um sorrisinho sarcástico para os que ficaram e entra no veículo.
Para quebrar o silêncio, começa a puxar assunto.
– De onde vocês são?
– Ihhhhh, cada uma é de um canto! – uma responde.
– Como se conheceram?
– Ah é uma longa história! – a outra completa.
– O que vocês fazem?
Alvoroço generalizado. Você não poderia imaginar que seria assim.
- Ela é de Saúde!
- Ela é de Humanas!
- Eu sou de Exatas!
- Não, você é de Humanas!!!
- Não, eu sou de Exatas !!!
- Humanaaaaaaas!!!
- Exataaaaaaaas !!!
- Humanas!!!!
- Exatas !!!!
- Não, não, tudo errado!!! Tem que olhar a tabela do CNPQ!!! A tabela do CNPQQQQQQQQ!!!!!!!
Você já se arrependeu até o pescoço de estar no meio de quatro loucas, quando o carro, já a 130km/hora, sai do asfalto para a estrada de terra. Pensa em abrir a porta e sair correndo, mas quando se dá conta só se vê dentro de um carro a mergulhar num breu de barro vermelho...
Parabéns, você acabou de pegar uma carona para a Chapada com as Garotas que adoram Contar Estrelas !
