AINDA NO BRASIL...
Antes mesmo de começar a viagem já me ocorreu um fato simbólico, eu diria. Comprei um super fashion macacão colorido para passar o réveillon que exigia um sapato alto. O que eu tinha, ocupava um super espaço na mala e acumulava histórias de ex-namorados que não gostavam e tal... Estava na hora de mudar o sapato também! Mas qual?? Enfim, na última hora, minha colega de república me apareceu com uma sandália super bacaninha e pronto, pus no pé e embarquei. Quando cheguei em Guarulhos fui informada que teria que embarcar de novo no terminal internacional para os trâmites alfandegários. Ok. Lá fui eu toda tranqüila quando, de repente, ouço um barulho estranho vindo do meu pé e tenho a impressão de que algo está colado no meu sapato. Coisa de 4 passos para atravessar a porta do desembarque... 1, 2, ... “mas o que há com esse sapato?”.. e ZUM! Meu pé direito vai com toda a força para a frente e toca o chão frio. O salto... cadê o salto?? Manca, com as tiras de couro da sandália coladas ao meu pé, e a sola de salto alto Anabela a um passo atrás, só tive a sensação de que tinha que agir rápido. Principalmente ao notar a reação das pessoas que esperavam seus familiares, amigos, desconhecidos (com letreiros de nomes esquisitos) com um semblante de surpresa, contendo o riso... É claro que fiz de conta que estava sozinha ali. Virei para trás, peguei o pedaço da sola daquela sandália (que antes parecia me salvar e agora eu detestava), e segui em frente, mancando e olhando para um ponto fixo... Por dentro, rindo de mim mesma.
Após pagar esse mico, minha segunda reação foi tirar as sandálias e sair andando pelo aeroporto de Guarulhos descalça... sem rumo aparente até me surgir uma terceira reação: parar numa loja de jóias e perguntar: "tem alguma loja de sapatos nesse aeroporto?" (e torcer para ter!).
A quarta reação, é claro que foi jogar aquela merda fora (demorei para fazer isso!)e pensar comigo mesma: "por que não vim com o meu velho tamancão?!!"
Por sorte, tinha um quiosque de Havaianas no aeroporto... devidamente calçada, segui em direção do meu destino.
Karen Amazona... embarcando de chinelo.
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