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domingo, 5 de dezembro de 2010

um acalanto estrelet

Poderia dizer que o dia rendeu. Poderia dizer que amanheci feliz. Poderia dizer que fatos ocorrem em minha vida diariamente apenas para confirmar a sensação de ser abençoada. Uma chuva mais que perfeita ocorre lá fora. Nesse cerrado urbano, Brasília. Aqui dentro, um mural cheio de pendências e um bilhete escrito:"linda, te adoro!" em frente a esse computador com o qual lanço meus pequenos devaneios de uma constante viagem nessa capital federal... Um coração tranquilo e uma mente a sussurar "calma, tudo tem seu tempo, sua hora". Um meta. Ainda apenas meta. Uma certeza à vista: a conquista da mesma. Muita determinação para o próximo ciclo. Se o céu é o limite, hoje, aqui, me lanço estrela...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Viajar é preciso!

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa
arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amyr Klink

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ilhada aqui Ou Esperando estrela cadente.

Tô Só
Crônica de Hilda Hilst para o "Correio Popular" de Campinas-SP

Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.
(Segunda-feira, 16 de agosto de 1993)

* Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959.